Crédito Imobilário: Um peso nas costas dos portugueses?

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A banca vai ter que se precaver. Sobretudo com o crédito imobiliário.

Comprar casa foi (e é) durante muitos anos um sonho prioritário dos portugueses. Como tal, durante décadas foi contraído um enorme montante de crédito imobiliário no sentido da aquisição de casa própria. Infelizmente, este período de bonança da economia portuguesa foi sol de pouca dura. A economia soçobrou e parte disso deveu-se ao peso que o crédito malparado carregou a economia (e a banca) nacional.

Os números do Banco de Portugal não enganam. Desde 2012, o crédito malparado não tem diminuído…muito pelo contrário. Nesse ano, o crédito vencido dos empréstimos concedidos a famílias encontrava-se nos 2.253 milhões de euros. Quatro anos mais tarde, em pleno 2016, esse mesmo número fica-se em 2.629 milhões São mais 376 milhões em quatro anos, que nos demonstram que – pelo menos nesta modalidade de empréstimo – a economia não desalavancou. Ora isto não são boas notícias nem para a banca (que verá fragilizada a sua capacidade de conceder crédito, nomeadamente crédito habitação), nem para a economia (que, no seguimento da menor concessão de empréstimos por parte da banca, terá menos oportunidades de investimento reprodutivo).

O crédito imobiliário em Portugal demora a ser pago

E as más notícias para quem comprar casa não se ficam por aqui. Segundo as minhas contas, um apartamento de 100 m2 em Lisboa leva, aproximadamente, 17 anos de produção para ser pago. Ora, na análise feita, repara-se que Lisboa fica em 4º lugar na capital em que mais tempo leva a pagar casa. Acima estão, respetivamente, Madrid (18 anos de produção), Paris (28 anos de produção) e Roma (36 anos de produção). Nesta análise a 10 capitais europeias, onde se cruzou o PIB per capita do país e o preço do apartamento por m2 na respetiva cidade, notou-se que – abaixo de Lisboa – ficaram respetivamente Liubliana (15 anos de produção), Dublin (11 anos de produção), Berlim (11 anos de produção), Bruxelas (9 anos), Atenas (8 anos) e Luxemburgo (8 anos).

Procurar alternativas dentro da banca

Portanto, depois da apresentação do diagnóstico resta-nos encarar a encruzilhada e perguntar: e agora, o que fazer para inverter o problema? A solução para ir diminuindo o encargo dos portugueses nos seus créditos pode encontrar-se dentro da própria indústria bancária. Como? Elucidando os portugueses quanto a produtos financeiros como o crédito consolidado, que podem ajudá-los a reduzir os seus encargos em montantes que podem ir até aos 60%.

E como funciona afinal este crédito consolidado? Basicamente, o cliente contrai um empréstimo para cobrir outros créditos já existentes (como por exemplo, o crédito imobiliário, crédito automóvel ou outros que possua). Esta opção pode tanto levar a um decréscimo das prestações bancárias, através da renegociação com o banco como a uma extensão do prazo de pagamento do mesmo. Ora, esta é uma forma de ir, aos poucos, “desalavancado” o nível de endividamento das famílias portuguesas. Mas para isso é preciso haver disponibilidade por parte da banca e conhecimento por parte dos clientes.

Contudo, mesmo através desta solução podemos interrogar-nos: será que os preços das casas no futuro irão descer de forma a fazer com que o financiamento necessário para as adquirir seja menor? A atentar na tendência tal não parece suceder. E é fácil de perceber porquê. Lisboa é uma cidade na moda. Turistas visitam-na e os famosos querem ir viver para lá. Ora isto, tendo em conta uma simples análise de oferta e procura leva a uma pressão ascendente sobre os preços. Pressão essa que parece não voltar atrás.

E agora?

Não me interpretem mal. O turismo é vital para a economia do país e tem, de facto, ajudado a melhorar as nossas cidades. Os turistas trazem dinheiro que é utilizado na remodelação de cidades anteriormente mal tratadas. Os turistas incentivam ao empreendedorismo dos habitantes da cidade, na criação de novos negócios e novos empregos. E os turistas fazem com que certas partes da cidade ganhem nova vida.

Agora, é de facto uma faca de dois gumes. Os preços das casas provavelmente irão manter a trajetória ascendente e o custo de produção para a pagar não ficará menor. Resta aos “players” do mercado e aos clientes encontrarem formas de não transformar isso num peso acrescido para a indústria da banca (todos sabemos o que acontece quando a banca cede mais crédito imobiliário do que deveria) e para a economia portuguesa.